Fui assistir Meu Nome Não é Johnny, ontem.
Depois de sair do cinema com uma opinião já formada sobre o filme, eu percebí que o que mais me surpreendeu não foi a vida do tal de João Guilherme Estrella, nem como ele entrou no mundo do tráfico, e muito menos o tipo de vida que ele levava.
O que mais me surpreendeu foi ver uma espécie de "boicote" de diversos críticos em relação ao filme!
Já ouvi e lí diversas pessoas afirmando que o filme faz apologia ao consumo de drogas, que ele inocenta o protagonista de todos os seus crimes, que faz o publico admirar um traficante playboizinho mostrando-o como um cara simpático, que ele não se dá ao trabalho de mostrar que as ações do personagem vivido pelo Selton Mello refletiam em mais dinheiro para os criminosos cariocas e, principalmente, que o final do filme mostra que qualquer criminoso se safa no Brasil, transformando o bandido em um herói.
A mais pura bobagem.
Em uma nação cuja cultura maior era ver sempre o malandro como o mocinho, nos últimos anos nós fomos surpreendidos com filmes que mostram que a realidade não é assim tão romântica.
Filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite acabaram com todo o glamour que existia em torno da figura do malandro, caracterizando-o simplesmente como um bandido. Eles nos mostraram que não existe "herói" e "vilão"... existem apenas escolhas. E são elas que decidem os tipos de pessoas que nós seremos.
Mas enquanto Cidade de Deus se focava em como nascem os bandidos e Tropa de Elite se focava em uma maneira de lidar com eles, Meu Nome Não é Johnny parte de outra base: nós podemos recuperar aqueles que fizeram a escolha errada?
O importante não é mostrar que os atos do João Guilherme Estrella enriqueceram o trafico armado, ou que ele contribuiu para o vício de inúmeros jovens, ou que as drogas fazem mal, ou mesmo por que um garoto que tinha tudo se envolveu nesse mundo. Não... nós já conhecemos bem o mundo para entender todas essas questões, sem um filme precisar mastigá-las para nós. Nós conhecemos o mundo, conhecemos a violência, conhecemos as drogas. Não, isso não é importante no filme.
O importante é mostrar que mesmo alguém que chegou no fundo do poço pode sim se reerguer. Que nem todos nós conseguimos mudar, mas que ao menos devemos ter a chance de tentar. Em cores mais claras, o importante é mostrar que até mesmo um traficante viciado sem a menor noção de seus atos pode sim retornar à sociedade tendo aprendido a sua lição. E o principal, passar essa lição aos outros.
Como a própria juiza diz no filme, cada caso é um caso.
O mundo não é preto e branco. O cinza ainda é a cor que predomina.
Matar bandidos não vai resolver os problemas de violência do nosso país.
E talvez muitos prefiram mesmo a realidade e a violência mostradas em Cidade de Deus ou Tropa de Elite...
Eu sempre vou escolher a esperança apresentada em Meu Nome Não é Johnny.
A música de hoje... não tem nada a ver com o resto do post.
Nem faço muita idéia do que ela fala.
Quem souber, me avisa!
Espero que gostem...
À Luz Do Dia
Se se tornou
O que queria,
Já não há mais o que querer.
Se se tornou
O que temia,
Já não há mais o que temer.
Se já fez tudo
O que queria,
Já não há mais o que fazer.
Se já viveu
O que podia,
Já não há mais porque viver.
Se já amou
O que não tinha,
Já não há mais o que amar.
Se se viu só
À luz do dia,
Talvez só tenha o que ganhar.
Se já chorou
De tanto rir,
Não há risadas para dar.
Mas se não riu
E nem chorou...
O show tem que continuar.
Ninguém mais quer
Ser o herói,
A moda agora é ser vilão.
É ingenuidade
Querer vencer,
Salvar o mundo é démodé.
Ninguém mais quer
Ser qualquer um,
Só querem protagonizar.
Mal sabem eles,
Por bem ou mal,
Que o mais sem-graça é o principal.
Ninguém mais quer
Se decidir
Entre o “ser” e o “não ser”.
Ninguém mais quer
Se reinventar...
Fazer igual é bem melhor!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
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5 comentários:
Quanta reflexão sobre o filme que eu nãi quis ir ver...estou quase arrependida!
Branca, esse seu post nao estraga o final do filme nem nada do tipo, neh?
Posso ler de boa na lagoa e depois assistir ao filme q nao vai ter problema?
Olha la, hein!
Beijo na sua bunda gorda.
É vero... eu, particularmente, naum sabia dessa idéia dos críticos q só viram a superficialidade do filme, mas td bem... paciência...
O lado legal é justamente a esperança colocada no filme. Simplesmente uma pessoa q quis mudar e agora é músico (isso não fala no filme). Independente da pessoa, todas tem direito a escolhas...
Quanto a letra da música q eu achei divertida... diferente até do q vc está acostumado a escrever, eu acho.
Abraço querido!!
Fala no filme sim Funny!
Quando acaba tudo, aparece uns escritos lá! Você tava com pressa de sair do cinema é?
E eu tbm acho q levar em conta a esperança q o filme passa vale mto mais a pena... Outra coisa que eu gostei é que não fala tanto de violência, tipo, os caras não xingam e nem se matam tanto... Só aquela cena dos presos batendo no japa q me deixou mais d cara ¬¬
E mesmo assim, ainda acho uma pena que os filmes que fazem sucesso no Brasil são os que falam de drogas, crimes, ladrões e talz... não que seja ruim falar disso, mas já tem bastante, não tem??
E a música é legal... de certa forma cabe pro protagonista da história, não cabe?
:***
é, eu não gosto de cinema (descobri isso esses dias) e, por isso, não assisti o filme, não sou muito adepto das drogas, não tenho idéia de como podemos mudar o país e não costumo gostar de críticos...eles tendem a achar que "crítica" TEM que ser sempre negativa, senão não é crítica...
mas, à luz da verdade, quem se importa com um bando de velhacos ou pseudo-intelectuais que nem sequer pagam ingresso para assistir aos filmes? Eu sou da tese de que tudo que é fácil não ganha o devido valor...se eles pagassem ingresso pra ver a porra do filme, gostariam mais, aposto....ou se eles fizessem mais sexo tbm...ou se frequentassem uma escola de samba de vez em quando...
do que eu estava falando mesmo???
Ah, lembrei! Eu dizia que te acho um gato, Branca ;)
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