quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sonhos, planetas e pipocas...

Anos atrás, quando eu era apenas uma pequena criança marota, lembro que meu sonho era ser pipoqueiro!
Eu via dia pós dia aquele moço, parado na porta da escola, vendendo pipocas doces e salgadas, com bacon ou torrões de açucar, as quais minha mãe nunca deixava eu comprar para não estragar meu apetite para o almoço. Sim, eu era uma criança frustrada por não poder comer pipoca ao final de uma cansativa manhã de aula, assumo isso sem medo. Alguns se frustram por não saberem assoviar, ou por irem mal em matemática. Apesar de eu não saber assoviar naquela época e ser péssimo em exatas, eu me frustrava por não poder comer milho estourado!
Foi quando eu jurei vingança à uma sociedade que não me compreendia me tornando... pipoqueiro!
Eu tinha a certeza de que um pipoqueiro levava uma vida boa, comendo quantas pipocas quisesse, e colocando a quantidade de bacon que bem entendesse dentro do saquinho!
Sim, esse era meu objetivo de vida...

Anos depois, eu decidi que queria ser astrônomo!
Comprava livros e livros sobre o universo, planetas, matéria escura...
Fui o primeiro da minha turma a decorar a ordem certa dos planetas no nosso sistema solar (o que talvez explique meu desespero ao saber que haviam excluido Plutão do grupo)...
Isso também criou uma enorme fixação pelo tema de vida alienígena e tornou-me fã assíduo de Arquivo X!!!
Até que alguém destruiu meus sonhos, dizendo que astrônomos precisam ser bons em física, matemática e outras coisas insuportáveis.
Provavelmente foram meus pais... eles adoram cortar o meu barato.

Anos mais tarde, eu decidi ser jornalista!
Claro, afinal eu escrevia bem. Eu podia não ser muito bom em matérias realmente úteis, mas minhas redações temáticas "Minhas Férias na Vovó", "Meu Pai, Meu Herói" e "O Melhor Passeio Pelo Zoológico da Minha Vida" eram grandes sucessos literários na minha classe.
Por que não escolher uma profissão em que tudo o que eu precisasse saber seria ESCREVER?
Meu irmão já era jornalista, e... bem, ele ganhava algum dinheiro, tinha um certo respeito, ia a festas badaladas, ganhava dezenas de CDs todo mês e vivia em um lugar onde só não é bem informado quem não quer.
Até que eu lí uma reportagem que ele precisou fazer em 10 minutos sobre um cara sobre o qual provavelmente nem a própria mãe se interessava.
Será que eu realmente queria passar a vida escrevendo sobre pessoas que eu não dava a mínima? Será que eu quero entrar em um emprego que paga mal, não te dá fins de semana e ainda te obriga a escrever em 10 minutos um texto sobre um zé-ninguém que poderia cair morto sem ninguém chorar???

Algum tempo depois, eu decidi ser publicitário!
Ok, eu não decidi. Na verdade, sempre foi tradição enchermos a casa de mensagens escritas em papéis a cada aniversário de alguém por aqui. Colamos bem cedo, antes do aniversariante acordar, no armário, na porta da geladeira, no espelho do banheiro, na tampa da privada, na cadeira da cozinha. E enquanto minha mãe sempre prezou pelos básicos "Feliz Aniversário" e "Muitos Anos de Vida", eu preferia passar a madrugada pensando em alguma coisa que surpreendesse quem estivesse lendo. Mensagens engraçadas, ou que realmente significassem alguma coisa... algo que valesse a pena ser lido, e não parecesse a mesma mensagem do ano anterior... Calma, eu prometo que essa história tem a ver com o assunto...
Em um aniversário do meu pai, meu irmão não conseguiu parar de rir com alguma coisa que eu tinha escrito. Foi então que ele disse "poxa vida, Thiago... vc devia tentar ser publicitário." Provavelmente ele nunca vai se lembrar de ter dito isso, mas pra mim aquilo realmente significou alguma coisa. Eu era um garoto prestes a prestar o vestibular e não tinha a mínima idéia do que me interessava. Talvez esse fosse o caminho.
Prestei publicidade, entrei na faculade e... percebi que certamente NÃO era isso que me interessava! O que só foi comprovado durate o período do meu primeiro emprego em uma agência.
Não que eu fosse ruim, ou não soubesse fazer o meu trabalho.
Eu simplesmente percebi que não gostava daquilo!

E foi então que eu resolvi ser músico!
Escrevi letras, escrevi musicas e arranjei mais três loucos que aceitassem me seguir em uma banda.
Até que eu percebí que talvez ser músico não seja uma decisão muito racional.
Para conseguir fazer algum sucesso não basta ser bom, não basta ter algum talento...
É preciso principalmente sorte!!!
Como alguém que colocou o nome da própria banda de Projeto Murphy pode querer ter a sorte de conseguir viver apenas fazendo música? Será que vale a pena apenas tentar algo que aparentemente já está fadado ao fracasso?

E daí eu resolvi ser escritor!
Digitei 63 áginas de texto no Word, mandei para alguns amigos e até recebi boas críticas!
Sim, talvez esse fosse o melhor caminhoa ser seguido...
Até que a única coisa que começou a passar pela minha cabeça foi: por que diabos alguém que não me conhece iria pegar um livro escrito por Thiago Brancatelli em uma Saraiva ou Cultura e gastaria nele seu precioso dinheiro, além do tempo de leitura?
Não consegui encontrar nenhuma resposta que não fosse "arma apontada na cabeça" ou "único livro na prateleira".


Eu leio livros e percebo que eu nunca vou ser tão bom quanto meus autores favoritos.
Eu assisto a filmes e percebo que nunca vou escrever diálogos tão bons quanto aqueles.
Eu vejo anúncios em revistas ou comerciais de TV e percebo que nunca vou criar algo tão genial.
Eu leio reportagens e percebo que nunca vou ser capaz de escrever aquilo de uma maneira melhor.

Será que vale a pena tentar?

Eu não tenho pretenção de ser rico, ou mesmo famoso.
Eu não tenho pretenção de amar o meu emprego, ou mesmo de me orgulhar dele.
Eu não tenho pretenção de ser o melhor no que eu faço, ou mesmo de ter o cargo mais alto.

Eu só queria me interessar por alguma coisa que me sustentasse!

Decidi não escrever mais nenhuma musica ou começar nenhum livro ou conto até ter algum sinal de que isso realmente vale a pena.
Pode ser por preguiça, pode ser por frustração.
Eu só preciso saber se existe alguma coisa que vale a pena.

A maioria dos meus amigos sabe em que eles são bons, e até gostam do que fazem.
Eu não faço nem idéia do que fazer com o meu futuro.

Hei, quanto será que custa um carrinho de pipoca...?



Sei que o post foi grande, mas acho que algumas pessoas me bateriam se eu não colocasse uma letra por aqui...
Essa tem a ver com o futuro... com planos que fazemos, e que nunca concluímos.
Por que talvez a coisa mais covarde que podemos dizer ao planejarmos o amanhã é "quem sabe".

Espero que gostem...


Quem Sabe Amanhã

Quem sabe amanhã,
Se a vida deixar,
Se a sorte mudar
E o mundo quiser,
Te deixo no olhar
A marca do adeus
Que não sairá.
Quem sabe amanhã
Eu deixo de olhar
A cara de quem
Não suporto mais,
Que sempre me faz
Achar que não sou
Homem pra você.
Quem sabe amanhã
Prometo encontrar
Alguém pra cuidar
Do meu coração,
Só para provar
Que eu posso ser
Bem mais do que “nós”.
Te deixo onde está.
Te mando um postal.
Te mostro que estou
Melhor que você.
Só pelo prazer
De te esnobar
Como você me esnobou.

Quem sabe amanhã,
Ao amanhecer,
Eu tento esquecer
Tudo o que jurei.
Eu pego o que é meu,
Que é pra não deixar
Lembrança de mim.
Quem sabe amanhã
Eu saio a gritar
Que tudo acabou,
Que eu não sou mais seu.
Arranjo outro par,
E monto outro lar
Bem longe daqui.

Te faço perceber
Que a vida pode ser muito melhor.
Não deixo esquecer
Que o mundo não gira ao nosso redor...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Realidade X Esperança

Fui assistir Meu Nome Não é Johnny, ontem.

Depois de sair do cinema com uma opinião já formada sobre o filme, eu percebí que o que mais me surpreendeu não foi a vida do tal de João Guilherme Estrella, nem como ele entrou no mundo do tráfico, e muito menos o tipo de vida que ele levava.

O que mais me surpreendeu foi ver uma espécie de "boicote" de diversos críticos em relação ao filme!

Já ouvi e lí diversas pessoas afirmando que o filme faz apologia ao consumo de drogas, que ele inocenta o protagonista de todos os seus crimes, que faz o publico admirar um traficante playboizinho mostrando-o como um cara simpático, que ele não se dá ao trabalho de mostrar que as ações do personagem vivido pelo Selton Mello refletiam em mais dinheiro para os criminosos cariocas e, principalmente, que o final do filme mostra que qualquer criminoso se safa no Brasil, transformando o bandido em um herói.


A mais pura bobagem.


Em uma nação cuja cultura maior era ver sempre o malandro como o mocinho, nos últimos anos nós fomos surpreendidos com filmes que mostram que a realidade não é assim tão romântica.
Filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite acabaram com todo o glamour que existia em torno da figura do malandro, caracterizando-o simplesmente como um bandido. Eles nos mostraram que não existe "herói" e "vilão"... existem apenas escolhas. E são elas que decidem os tipos de pessoas que nós seremos.
Mas enquanto Cidade de Deus se focava em como nascem os bandidos e Tropa de Elite se focava em uma maneira de lidar com eles, Meu Nome Não é Johnny parte de outra base: nós podemos recuperar aqueles que fizeram a escolha errada?

O importante não é mostrar que os atos do João Guilherme Estrella enriqueceram o trafico armado, ou que ele contribuiu para o vício de inúmeros jovens, ou que as drogas fazem mal, ou mesmo por que um garoto que tinha tudo se envolveu nesse mundo. Não... nós já conhecemos bem o mundo para entender todas essas questões, sem um filme precisar mastigá-las para nós. Nós conhecemos o mundo, conhecemos a violência, conhecemos as drogas. Não, isso não é importante no filme.

O importante é mostrar que mesmo alguém que chegou no fundo do poço pode sim se reerguer. Que nem todos nós conseguimos mudar, mas que ao menos devemos ter a chance de tentar. Em cores mais claras, o importante é mostrar que até mesmo um traficante viciado sem a menor noção de seus atos pode sim retornar à sociedade tendo aprendido a sua lição. E o principal, passar essa lição aos outros.

Como a própria juiza diz no filme, cada caso é um caso.
O mundo não é preto e branco. O cinza ainda é a cor que predomina.
Matar bandidos não vai resolver os problemas de violência do nosso país.
E talvez muitos prefiram mesmo a realidade e a violência mostradas em Cidade de Deus ou Tropa de Elite...

Eu sempre vou escolher a esperança apresentada em Meu Nome Não é Johnny.


A música de hoje... não tem nada a ver com o resto do post.
Nem faço muita idéia do que ela fala.
Quem souber, me avisa!

Espero que gostem...


À Luz Do Dia

Se se tornou
O que queria,
Já não há mais o que querer.
Se se tornou
O que temia,
Já não há mais o que temer.
Se já fez tudo
O que queria,
Já não há mais o que fazer.
Se já viveu
O que podia,
Já não há mais porque viver.

Se já amou
O que não tinha,
Já não há mais o que amar.
Se se viu só
À luz do dia,
Talvez só tenha o que ganhar.
Se já chorou
De tanto rir,
Não há risadas para dar.
Mas se não riu
E nem chorou...
O show tem que continuar.

Ninguém mais quer
Ser o herói,
A moda agora é ser vilão.
É ingenuidade
Querer vencer,
Salvar o mundo é démodé.
Ninguém mais quer
Ser qualquer um,
Só querem protagonizar.
Mal sabem eles,
Por bem ou mal,
Que o mais sem-graça é o principal.
Ninguém mais quer
Se decidir
Entre o “ser” e o “não ser”.
Ninguém mais quer
Se reinventar...
Fazer igual é bem melhor!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Um desabafo mal escrito sobre o ano que virá...

Um grupo estranho..
Dois sambistas da zona norte, um querido e uma querida de Guarulhos, uma baixinha de Itanhaém, uma vizinha da Santo Amaro, um irmão da Pompéia, um japonês de Capão Bonito e uma tarada de Maringá.

E foram essas as pessoas que fizeram deste reveillon o melhor momento de 2007!!!
E vem dessas 9 pessoas o meu maior medo de 2008...

Muitos vão ter medo de não conseguir um emprego... ou de perder o emprego que têm...
Vão ter medo de falhar na faculdade... ou de perder o interesse na profissão que escolheram seguir...
Vão ter medo de perder chances... ou de fazer as escolhas erradas...
Vão ter medo do novo... e vão continuar tendo medo do velho...
Ou vão ter medo de novos atentados terroristas, novas guerras, mortes...
Vão ter medo de novos medos...
Vão ter medo do amanhã...

Eu não vou ter medo de nada disso.
Meu medo é de uma coisa muito pior que qualquer uma dessas opções...


O meu único medo neste ano é o de me afastar dessas 9 pessoas!


Não vamos mais nos ver todos os dias.
Não vamos mais estar no mesmo grupo de trabalho ou mesmo na mesma cidade.
E eu simplesmente não sei como seria a minha vida sem essas 9 pessoas, e nem pretendo descobrir!

Esse post é mesmo sem sentido.
Um desabafo de começo de ano, só para deixar bem claro a mim mesmo uma coisa:

Eu nunca vou deixar que essas pessoas se afastem de mim!


Pela primeira vez, vou colocar aqui uma letra ainda sem música.
Escrevi ela ontem, durante a madrugada, e não tem nada a ver com nenhum assunto deste post.
Pode ser uma música, pode ser apenas um poema.
Ainda nem sei direito sobre o que ela é... um dia eu descubro.

É a primeira letra que eu escrevo em 3 meses.

Espero que gostem.


Mais Uma Vez

Olhava para o céu,
Pensando no amor
E no que ele lhe causou,
E o quanto fez sofrer
Seu pobre coração
Que não o mereceu.

Com a mão sobre o seu peito,
Lembrando o que lhe fez
Chorar mais uma vez,
Sozinha por errar
E não saber amar
Quem tanto lhe amou.

E a dor a dominou.
E o corpo desabou
Com os joelhos ao chão.
Cobrindo com as mãos
O rosto que molhou
Com as lágrimas do amor
Que não soube expressar.

Lutando contra a dor
Que era a solidão
De não poder mostrar
Quão grande é seu amor.
E o peito lhe apertou,
Provando ainda ter
Vida no coração,
Que ainda ia poder
Amar mais uma vez.